"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
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Fev 08
Por josé simões, às 12:44 | comentar

 

Sobre a notícia do dia, e sobre as fotos que a ilustram – e desculpem lá mas vou ver isto pelo lado estético; tem de ser visto em primeiro lugar pelo lado da estética; a trafulhice para depois – só me ocorre uma coisa: Não é uma questão de falta de gosto; é mesmo Mau Gosto! Que Grande Mau Gosto! Que Grande Mau Gosto! Que Graaaaande Mau Gosto! (Prontes! Já libertei a minha raiva).
 
E os gostos discutem-se sim senhor!
O dinheiro gasto para construir uma casa feia, é exactamente o mesmo que se gasta para construir uma casa bonita. Os materiais são os mesmos. É uma questão de gosto. De bom gosto.
E aqui, o mínimo dos mínimos era o respeito pelos materiais da região e pela tradicional traça arquitectónica. Não era pedir muito.
 
Senhor assinante dos projectos; senhores autores dos projectos: façam o favor a vós próprios, comprem esta revista, e também esta. Vão ver que não dói nada. São só uns euritos por mês; o que é isso? E o povo agradece.
 
Também podemos ver a coisa por outro prisma. Ou melhor; o mesmo prisma, por outro ângulo: o ideal de urbanismo que existe dentro das cabecinhas de quem projectou estas casas, reflectida no dia-a-dia da governação, e das ideias que se têm para Portugal. Somemos a isto os projectos PIN e aqui temos um resultado bombástico. Literalmente.
 
(Uma atenuante: a culpa não é deles. É de quem lhes passou o diploma de fim de curso; de quem os habilitou profissionalmente. Em última instância, de quem lhes deu emprego.)
 
Adenda: via Atlântico, descubri os restantes "cagalhões". Aqui.
 

Eh pá, mas isto foi muito antes de ele ter acabado a licenciatura na Independente... Aí sim ! Teve um curso intensivo de sensibilidade e bom senso e, se não tem ido para primeiro ministro, teríamos ali um eng(i)nheiro que só visto...
Al Kantara a 1 de Fevereiro de 2008 às 14:10

Sabemos todos que o "gosto" não se integra curricularmente na formação académica em curso nenhum.
Existem umas cadeiritas de estética em Artes Plásticas, em Design e em Filosofia como exercício teórico, e, ao que julgo saber, ficam por aqui. Nem em Arquitectura, muito menos em Engenharias, a trabalham, a ponderam.
Até a Histórias da Arte, precioso auxiliar de formação mas cadeirões chatos, eram 3 anuais para Artes Plásticas nos anos 80 (na ESBAL) e para Arq. (ainda nas ESBAL) era só uma. (Ressalvo a possibilidade de ter mudado entretanto mas os maus resultados mantêm-se).
Para os Engºs, estética é apenas coisa onde a esposa passa algum tempo por semana.
PS: Não precisavas de ir buscar a bíblias como exemplo. O bom-senso, tão simples, devia ter imperado quer na feitura do projecto quer no acto de assinar. Só por cá é que qualquer badameco desenha e outro, acima, reconhecido, assina.
não interessa a 1 de Fevereiro de 2008 às 14:48

o que me faz confusão é, não sendo a minha área, não "pescando eu nada do assunto ao nível técnico, conheço as biblias, e eles não!

já que falamos em biblias, podiam ao menos dignar-se a dar uma passagem de olhos pelo tratado de arquitectura do vitrúvio...
josé simões a 2 de Fevereiro de 2008 às 10:12

Ó amigo terrorista:

Cada um tem o que merece. Aquelas obras parecem-me coisa de desenrascanço. Claro que o autor lá se vai desenrascando. Nós é que não...
Luiz a 2 de Fevereiro de 2008 às 11:44

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
twitter / der_terrorist
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