Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Ainda a festa do Avante!

por josé simões, em 04.09.07

 

Onde se dá conhecimento de carta, publicada na secção Cartas ao Director, na edição de hoje do Público:
 
Carta aberta a Sérgio Godinho, Vitorino e Janita
 
«Sei que vão estar presentes na Festa do Avante! Que se realiza de 7 a 9 de Setembro na Atalaia, Seixal. Por isso acredito que saibam que também vai estar presente o Partido Comunista da Colômbia. Organização que está ligada às FARC, que têm Ingrid Bettencourt sequestrada há mais de 200 dias. Apesar dos movimentos a pedirem a sua libertação, As FARC têm sido insensíveis aos mesmos.
Continuo a pensar que acontecimentos como a Festa do Avante! São óptimas ocasiões para dar visibilidade a movimentos como este. Pensando que num passado, não muito longínquo, as vossas vozes se fizeram ouvir em muitos palcos a pedirem justiça e libertação de presos políticos, lembrei-me de vos escrever esta carta para que na Festa do Avante! Façam o que já fizeram no passado e gritem bem alto: “Liberdade para Ingrid Bettencourt.”
Dir-me-ão que não será bonito fazê-lo em casa de quem vos pagou para actuarem, mas acredito que ainda mantenham a irreverência e o gosto pela liberdade da vossa juventude tão bem expressos em muitas das canções que ouvi em alguns dos vossos espectáculos e agora ouço em CD. Fico à espera.
António Monteiro Pais – Lisboa.
 
Caro António Monteiro Pais; ou muito me engano, ou é melhor esperar sentado. Passo a explicar:
Durante alguns anos da minha vida exerci a profissão de Roadie, que, caso não saiba, são aqueles fulanos que chegam ao local dos espectáculos algumas horas, ou alguns dias antes deles acontecerem, e que têm como missão montar, desde os palcos aos PA’s, até ao afinar as guitarras para os músicos, e que, no fim, quando toda a gente já se foi embora, ainda por lá ficam mais alguns dias ou algumas horas, para procederem à desmontagem de tudo antes de partirem para outro.
Corria o mês de Agosto do ano de 1991, quando na então URSS, Mikhail Gorbachev foi vítima de uma tentativa de golpe de estado, levada a cabo pelo famoso “Gang dos Oito” com o intuito de trazer de volta os tempos de Brejnev. Valeu na altura a coragem de um desconhecido Boris Ieltsin que subiu para cima dos tanques e o resto é História. Também é História o apoio dado pelo PCP aos golpistas pela voz de um senhor que, no seu blogue, é agora um “enorme” defensor das causas da liberdade e das lutas dos oprimidos.
 
Pois bem, como ia dizer, tive como profissão Roadie, e, nos idos de 1991 recebi uma convocatória da empresa com que trabalhava, para acompanhar a montagem do espectáculo de uma banda portuguesa – que como deve compreender, não vou revelar o nome – na Festa do Avante! (o golpe foi em Agosto, a Festa em Setembro). Recusei o serviço, argumentando que não podia pactuar com a ditadura e a opressão, ao aceitar trabalhar para alguém que apoiava na URSS, o que dizia lutar contra em Portugal.
Eu não fui à Festa. Aliás, nunca mais trabalhei em nenhuma Festa do Avante! desde essa altura. Deixei de ganhar uns cobres que bem falta me faziam. A banda foi. Aliás, a banda continuou a ir.
 
Caro António Monteiro Pais; é melhor ir buscar uma cadeirinha ou um banco porque a espera vai ser longa.
(*) Imagem via TóColante.

1 comentário

Comentar post