No telejornal do t-shirt man, Francisco Assis usou o minuto da praxe para evocar Carlos Fuentes, José Luís Arnaut associou-se mas preferiu falar de coisas "mais do plano terreno" [sic, e não é sic por ter sido na sic]. "Sempre que me vêm falar de Cultura... retiro a patilha de segurança da minha [pistola] Browning". Hanns Johst [Schlageter] rocks! Ou será Kultura?
[Na imagem Mickey Rourke por Helmut Newton, via]
As empresas fecham portas e despedem todos os dias. As que não fecham portas reduzem custos e arranjam maneira de despedir, e ainda mais os salários em atraso. Encontrar trabalho por conta de outrem no sector privado é missão impossível. No Estado idem idem aspas aspas, a menos que se venha directamente do partido para uma comissão a expensas do erário público. A banca não concede crédito a ninguém muito menos a quem se queira lançar por conta própria e começar do ponto zero. As pessoas estão acomodadas. O irresponsável que os portugueses elegeram um dia como primeiro-ministro explica porquê.
«Mais de um milhão de desempregados
Desemprego real próximo dos 20% no primeiro trimestre»
[Imagem de autor desconhecido]
Trinta e cinco anos depois, a Direita no poder, começou finalmente a corrigir "os erros" da descolonização. Não há dinheiro para nada.
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O primeiro é um problema de semântica: nos media internacionais ele há a "esquerda democrática", a "esquerda moderada" e a "esquerda radical", mas não, não há a "direita trafulha", há a Nova Democracia.
O segundo é um problema de coerência colectiva: os gregos insistem em votar na "esquerda radical" e não perceber que o que é bom para a Grécia, a Alemanha União Europeia e os "mercados", não necessariamente por esta ordem, é votar na "direita trafulha", que lhes maquilhou a contabilidade e conduziu o país á beira do abismo em que se encontra.
E contra isto batatas, como sói dizer-se.
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Conta a anedota que um dia Leonid Brejnev levou a mãe para lhe mostrar a sua datcha, as suas Zil e os seus pavilhões de caça. «É maravilhoso, Leonid – disse-lhe a senhora – Mas e se os comunistas voltam ao poder?».
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«Senhores, Patrões, chefes supremos, Nada esperamos de nenhum,
Sejamos nós que conquistemos, A terra mãe livre e comum» lai-lai-lai
«o governo teria, muito provavelmente, de levantar algumas limitações que existem em termos ambientais». Coisa de somenos, o ambiente e o ordenamento do território e a herança que deixamos às gerações futuras, que é só contabilizada em termos de dívida pública.
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Como nos blogues, ou nos artigos de opinião nos jornais, não é porque se encheu uma página inteira de palavras, e de palavras todas rebuscadas e cheias de retorcidos e reviravoltas a lembrar a fachada do Mosteiro dos Jerónimos, que a mensagem chega com mais força ao destinatário.
Na maior parte das vezes funciona exactamente ao contrário, é maçudo, o leitor desmobiliza logo ao segundo ou ao terceiro parágrafo, não há margem para respirar, não há espaço para raciocinar. O leitor está ali só porque tem de haver alguém a clicar no rato para activar o contador de visitas do top of the pops ou o número de page views que vão gerar receitas de publicidade.
Às vezes basta uma imagem numa parede branca. Como esta de Banksy na Whymark Avenue de Londres, a recordar o trabalho infantil – e miseravelmente pago, num qualquer país emergente com índices de crescimento de dois dígitos, daqueles que os "mercados" costumam atirar como exemplo à cara da Europa rica, e que está por detrás de toda a parafernália de souvenirs que vão gerar milhões de pounds de lucro no jubileu da rainha. [Clicar na imagem para mais detalhes]
[Via]
Os remediados passaram a ricos, por decreto governamental, os miseráveis crescem como cogumelos, por via da "majoração" e do "elevador social", promessas da campanha eleitoral.
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Quando, no conforto do camarote presidencial, saltarem das cadeiras com o grito "gooooolo!" nas gargantas, lembrem-se dos que nesse preciso momento estão, também a saltar das cadeiras, mas nas masmorras da Sluzhba Bezpeky Ukrayiny [SBU], a polícia secreta de Viktor Yanukovich, e com gritos de dor nas gargantas.
No país em que os deputados da Nação interpretam o regimento por medida para ir à final da Taça a Sevilha, o Sol gira à roda duma bola de futebol.
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Podia ser uma paisagem idílica do Portugal rural dos pequeninos - «O primeiro-ministro foi esta tarde à Feira do Livro de Lisboa com a mulher, numa visita que se pretendia particular e informal» - pintada em tons sépia, assim houvesse Instagram aplicado às câmaras das televisões nas reportagens dos telejornais, e às objectivas dos fotojornalistas – «Deteve-se demoradamente nos pavilhões e comprou livros».
«O passeio foi quase perfeito até aos últimos 20 minutos» - não se desse o facto de o SIS ter deixado de fazer clipping - «quando algumas dezenas de indignados […] o vaiaram exibindo cartazes» - coisa verdadeiramente surpreendente em 38 anos de Democracia, e obrigando uma força policial a «sair do nada», para surpresa de todos, jornalistas incluídos.
"Os homens nascem sem alma", foi o primeiro título a chamar a atenção de Passos Coelho. E aos jornalistas, chamou a atenção?
Vómito.
[Na imagem "Whores", autor desconhecido]
De pé, ó vitimas da fome, De pé, famélicos da terra.
[Imagem Mary Apparition,Verona,Italyby Greg Haberney]
A teoria da conspiração num país governado por um louco.